Porque é que as greves são sempre sobre reivindicações de ordenado, escalões, propinas, e não sobre o aumento da produtividade, melhoria das competências, melhores condições para desenvolver a sua actividade de forma mais sustentada.
Estamos numa situação em que o deficit orçamental está identificado como sendo um dos principais problemas presentes, mas fundamentalmente de futuro do nosso país.
Isto porque o que se está a falar é do nosso futuro e das gerações futuras, continuamos a fazer as lutas para o dia de hoje, ignorando que a despesa corrente sem controlo só irá prejudicar todos os portugueses.
Gostava por um dia cruzar-me com uma manifestação para que os trabalhadores fossem mais competitivos, tivessem melhor formação, melhores ferramentas, melhores chefes e estratégias e que se comprometessem com a sua proposta, e se as suas reivindicações fossem aceites, os mesmos seriam responsabilizados e premiados pelo seu cumprimento.
Caso não se atingisse o objectivo proposto, verificávamos o que é que correu mal, e fazíamos o ajuste que podia muito bem ser voltar ao ponto de partida.
Em vez de continuarmos a lamentar no deficit, porque não defender que o Estado pode despedir, que pode premiar ou congelar salários de forma selectiva.
Em vez disso continuamos a assumir que quem entra na função pública passa a ser mais uma das rodas dentadas que com mais ou menos dentes, tem que funcionar ali, e ser aumentadas 1, 2 ,4 ou 10 % todos os anos, com ou sem prejuízo.
Assumo por convicção que o Estado tem mais obrigações que uma empresa privada, pois deve defender não só o “accionista”, mas também o bem-estar social.
Mas por esse mesmo motivo acho que deve dar o exemplo garantindo que os seus serviços são bem geridos no interesse do bem comum, deve poder despedir, garantindo os meios para que essa pessoa possa se adaptar a outra função ou vocação.
Garantir que a pessoa tem os meios para tentar iniciar um novo desafio, mais adequado à sua capacidade, garantir a formação para novos desafios.
É daí que têm surgido os melhores exemplos das pessoas que acreditam que conseguem fazer melhor, que o seu chefe estava errado, e que por isso desenvolveram o seu negócio, muitas vezes levando depois que os outros elementos do sector o sigam.
Permitir que se despeça, garantindo as ferramentas para que as pessoas se possam tornar mais competitivas garantiria o controlo da despesa corrente, mas também iria trazer para o mercado uma maior competitividade.
No limite o que mais gostava de ver era um Estado em que ser funcionário público não é ser apenas mais um, sinónimo de incompetência e improdutividade, mas sim um exemplo para que os restantes sectores possam seguir e beneficiar.